Português

 

O MISTÉRIO DA CRUZ

 

 

                       

                                   “Fui crucificado com Cristo”

Gal 2, 19

 

São Paulo

 

 

“Nós pregamos um Cristo crucificado” (1 Cor, 23). Tal como Jesus na sua primeira homilia na Sinagoga de Nazaré (Lc 4, 17-21), Paulo viu a sua missão prefigurada na do Servo de Yahweh chamado por Deus “no tempo favorável para ser a aliança das nações” e levar a salvação às extremidades da terra (Is 49,6.8; 2Cor 6, 1-2; Act 13, 47; cf Lc 2, 32). Habitado por este desígnio universal, Paulo guarda diante dos seus olhos os sofrimentos paradoxais pelos quais o Servo Jesus cumpriu a obra da salvação: “Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim e eu crucificado para o mundo” (Gal 6, 14).

 

A esta lembrança, o amor de Cristo o constrange (2 Cor 5,14), ao mesmo tempo o amor que Cristo mostrou e o amor que Paulo quer dar a Cristo. Este amor o “mantém na intimidade”, o constrange sem lhe deixar repouso e um pensamento atormenta o espírito do Apóstolo: Cristo morreu por todos, portanto, os viventes, todos os viventes, já não devem viver para si mesmos, mas para Ele, que morreu e ressuscitou por eles. E ele mesmo, Paulo, pela sua acção missionária e pastoral, quer entrar a fundo neste mistério de Jesus Servo, conhecê-Lo, a Ele, com o poder da sua ressurreição e a comunhão nos seus sofrimentos (Fil 3,9-11). Para que a vida trabalhe nos cristãos, ele aceita que a morte trabalhe nele mesmo (2 Cor 4,12). Doravante, com Cristo, ele é um crucificado (Gal 2, 20) e o que falta aos sofrimentos de Cristo, ele completa na sua carne, na sua vida de homem limitado e frágil, em favor do seu Corpo que é a Igreja (Col 1, 24).

 

        A oração pastoral  de São Paulo –

Jean Lévêque, carmelita, da provincia de Paris

 

 

 

       “Deixai-vos pregar na cruz

com Jesus Cristo”

VJC t. 3 p. 358

 

 

 

Maria Rivier

 

 

“Julguei não dever saber coisa alguma entre vós a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado”(1Cor 2,2). Conhecer Jesus Cristo crucificado, amá-Lo e tornar-se semelhante a Ele é, para Maria Rivier, a ciência das ciências (VJC t. 2 p. 69). Felizes aquelas de entre nós, que vos conhecem, ó meu Salvador! Mais felizes aquelas que vos amam e perfeitamente felizes aquelas que se assemelham a vós! (VJC t.2 p. 69.) Ela proclama a bem-aventurança da cruz: Bem-aventurados aqueles que carregam a cruz de Jesus Cristo, pela caridade e pelo amor! Sejamos do número desses: a cruz sem Jesus é uma coisa muito dura; pois é um mal sem consolação, sem fruto e sem mérito; mas com Jesus, é uma unção real e divina que consagra os nossos corações ao Espírito Santo e nos consagra na imortalidade (VJC t. 2 p. 460).

 

Igualmente, não é preciso admirar-se que, apaixonada pelo zelo da glória de Deus, a sua Serva tenha amado tanto a Cruz, tenha falado tanto a linguagem da Cruz, esta linguagem desconcertante para os sábios segundo o mundo. Sim, esforçamo-nos por formar em nós Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado. (Directório Cap. IV p. 145) É por isso, começa ela nas suas Meditações, devemos conformar-nos sempre e sem raciocinar, com tudo o que apraz a Deus de querer e de permitir, deixar-nos sem a menor resistência pregar na Cruz com Jesus Cristo (VJC t. 3, p. 359).

 

 

 

Extracto de: A Mulher- Apóstolo

na pégada de Paulo Apóstolo

 

 

 

 

MEDITAÇÃO DIANTE DA CRUZ

 

 

“Elevei para vós um sinal de salvação; é o meu Filho, no estandarte da cruz, olhai para Ele!” A salvação começa por um olhar, um olhar para Aquele que os homens trespassaram (Jo 19, 37), o olhar da fé para o meio paradoxal escolhido por Deus, o olhar da esperança voltado e mantido para a cruz do Senhor. Pela cruz de Jesus, a vida explode sobre o mundo. Deus, com efeito, amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único. Deus elevou, depois exaltou o Filho do Homem, a fim de que todo o homem que acredita obtenha por Ele a vida eterna. Estas grandes perspectivas, que são as do mistério pascal de Jesus e da Igreja, podem ajudar-nos a melhor situar, na nossa vida pessoal, o sofrimento, a doença, o fracasso, o envelhecimento ou o serviço que crucifica a juventude, as mordeduras da vida fraterna e os desertos da afectividade.

 

Tudo isto, no crisol da ressurreição, é o nosso mistério da cruz. É um “mistério”, portanto, no sentido paulino, um plano de Deus, um desígnio de salvação há muito tempo escondido e que pouco a pouco se revela. Tudo isto, é a nossa cruz, a cruz concreta, pessoal, sempre inesperada e sempre estranha, que é preciso agarrar para seguir Jesus. E este mistério da cruz não se vive antes de tudo no plano emocional, mas ao nível do realismo cristão.

 

A cruz para nós, aquela que mais se assemelha com a de Jesus, é aquela que Deus nos ajuda a reconhecer, plantada na nossa vida num lugar que só Deus conhece. A verdadeira cruz para nós, é aquela onde as mordeduras do mundo se tornam uma “queimadura” secreta do coração, a queimadura no coração dos discípulos de Emaús à escuta do Ressuscitado. A verdadeira cruz, é o real da nossa existência, assumido corajosamente como um apelo à vitória de Jesus.

 

O Carmelo em França

4º Domingo da Quaresma. João 3, 14- 21

O COMBATE DO APÓSTOLO

 

 

São Paulo

 

 

O combate do apóstolo é, em primeiro lugar, o combate da imolação com Cristo. Grande combate em que o apóstolo deve em cada dia “perder a sua vida” para salvar a dos seus irmãos (1 Cor 15,31). Sabemos que no combate da oração, que “dura batalha” (Col, 1), ele conduziu continuamente. O apóstolo Paulo enviado a todos os homens pela sua salvação, e responsável diante de Deus, desta salvação dos seus irmãos, é preciso que ele cumpra a sua missão. Anunciar Jesus Cristo, é bem o tudo do combate do Apóstolo, este combate que só obtém “a vitória” (1 Cor 15, 57) pela imitação de Jesus, pela comunhão à sua Cruz e à sua oração redentora.

 

Neste combate, como em todos os outros, Paulo mostra-se um “atleta” (1 Cor 9, 25-26), um “campeão” (2 Tim 4, 7) e um “treinador” (2 Tim 4, 1-5) de primeiro valor. Deixemo-nos pois treinar por ele: “Mostrai-vos meus imitadores como eu próprio sou de Cristo” (1Cor 11,1). Mas fixai bem estas últimas palavras que dominam o compromisso missionário de Paulo: o caminho pelo qual ele nos treina, é o próprio caminho de Cristo Salvador. Não é o impulso do seu temperamento que arrebata Paulo… é “a energia de Cristo que age em mim com poder” (Col 1, 29). Não é o atractivo da aventura mas é o atractivo de Jesus Cristo: “… Ele aniquilou-se, tomando a condição de escravo… e até à morte da cruz.” (Fil 2,5-8) não é o gosto da acção mas o amor de Cristo pelos seus irmãos: “Pois o amor de  Deus  nos constrange, ao  pensar que Ele morreu por todos” (2 Cor 5, 14).

 

                                                                       (Extractos de J. Huguet – Unidade da vida espiritual

e da vida apostólica segundo São Paulo).

 

 

 

 

Maria Rivier

 

 

“Eu devo viver da própria vida de Jesus Cristo de modo que a vida de Jesus Cristo deva aparecer em toda a minha conduta e mesmo na minha carne mortal” (VJC t 3, p. 355). A nossa vida consagrada apostólica é uma caminhada para a santidade, um impulso que nos leva sempre para a frente. Para Paulo e Maria Rivier, que se deleitam a comparar o cristão ao atleta do estádio, o progresso espiritual faz-se num combate, numa luta que nunca está terminada. Morto ao pecado, o baptizado deve sem cessar despojar-se do homem velho. É o papel da ascese, acabar esta morte pela mortificação. O fruto do combate é a vida em Deus.

 

Imitar Cristo, viver da sua vida, não vão sem a necessária morte a si mesmo, sem a ascese, sem o consentimento de perder a sua vida, para viver unida a Deus na caridade. Maria Rivier compromete as suas irmãs a entrar com uma firme esperança neste combate, não por causa, como o puderam dizer, das suas falhas psicológicas, mas em razão deste desejo forte que abrasa o seu coração: fazer da sua vida uma oferenda de amor. Eu devo ser conforme a Jesus Cristo, devo enfim viver da própria vida de Jesus Cristo. (VJC  t. 3, p. 355). Enxertada em Jesus Cristo, a Mulher-Apóstolo não hesita apesar das dificuldades, apesar das contradições, as situações julgadas impossíveis, a se lançar na sua missão: Fazer conhecer e amar Jesus Cristo.

 

                                                                                  Extracto de: A Mulher- Apóstolo

                                                                                            Na pegada de São Paulo

 

 

 

 

Avancemos ao largo,

com os olhos fixos em Jesus Cristo

 

 

Quando Jesus está numa vida, quando se toma a sério a sua Palavra, tudo muda, tudo se torna possível. “Sem Mim nada podeis fazer”, dizia Jesus. Pressente-se aqui uma das exigências essenciais da missão: só se pode ser apóstolos, testemunhas, se formos amigos de Jesus, homens e mulheres de oração, ainda mais, seres que consentem pôr os seus passos nos passos de Jesus.

 

Que o apóstolo seja em primeiro lugar um homem de oração, preso por Cristo, é uma expectativa muito profunda do nosso tempo. Os homens da nossa época, dizia o Papa João Paulo II, pedem aos crentes não somente de lhes falar de Cristo, do Evangelho, mas, num sentido, de lhes “fazer ver” Cristo. O nosso testemunho seria empobrecido se não começássemos em primeiro lugar nós mesmos a contemplar o rosto de Cristo a fim de O conhecer, de O amar, de viver da sua vida para transformar a partir do interior a história que nos é confiada. “Deixando tudo, eles seguiram-n’O”: é o segredo das verdadeiras fecundidades. O importante, nas nossas existências, é consentir pouco a pouco a nos desentulharmos, até mesmo a nos desprendermos de muitas coisas, a começar por nós mesmos, para seguir Jesus, pôr os nossos passos nos seus passos, tornando a dar-Lhe o “sim” do nosso amor, através da aventura e dos riscos das nossas existências.

 

Chamados a ser apóstolos onde Deus nos quer e nos ama, não tenhamos vergonha de conhecer a fraqueza, o desânimo, até mesmo a dúvida, como tantos dos nossos contemporâneos. Somos todos pecadores, frágeis. Nessas horas, apoiemo-nos, pobremente, na fé dos irmãos, das irmãs. Nas horas da noite, ousemos tornar a dizer o nosso Credo, nem que fosse só dos lábios! Mas não tenhamos medo, deixemos para trás as nossas suspeitas e as nossas dúvidas. Avancemos ao largo, corramos a aventura que nos é proposta, rodeados duma tão grande nuvem de testemunhas, com os olhos e o coração fixos em Jesus Cristo. Ele é para sempre vivo e nos encaminha, apesar de tudo, para o triunfo do amor e da vida.

 

 

                                                                                                               Fr. Pierre Hugo, o. p.

                                                                                       Espírito e Vida, Janeiro 2007 nº 163

SÃO PAULO UM MODELO CREDÍVEL PARA

SER CRISTÃO HOJE

 

 

 

Mensagem do Bispo para a Quaresma 2008

 

Kurt Koch – Bispo de Basileia  

 

 

Queridas irmãs e irmãos,

 

Para este ano e para o próximo ano, o Papa Bento XVI anunciou um “ano S. Paulo” à memória e em reconhecimento a este apóstolo das nações, por ocasião do 2000 º aniversário do seu nascimento, que os historiadores situam entre 7 e 10 depois do nascimento de Cristo. São Paulo não pertence somente às personalidades mais impressionantes e às figuras mais marcantes da Igreja primitiva, ele tem também muito a dizer na situação actual da Igreja. É por esta razão que vos convido a acolher com curiosidade a sua compreensão fundamental da fé.

 

 

Apóstolo por conversão

 

 

Já a maneira pela qual São Paulo se tornou cristão é impressionante. Antes já da sua conversão, ele não era em nenhum caso um homem para quem Deus nada significasse e que estaria afastado da sua lei. Muito mais, ele era um judeu recto de tal modo que a nova fé dos cristãos, para quem já não é pela lei de Deus que está no centro, mas a pessoa de Cristo crucificado e ressuscitado, ele a julga escandalosa e como inaceitável para a fé judaica. A partir daí, ele se sentiu obrigado a perseguir os adeptos de Jesus Cristo, mesmo no exterior de Jerusalém. Isto mudou da maneira fulminante com o acontecimento de Damasco, quando São Paulo encontrou Cristo e foi tocado pela sua luz. A partir desse momento, ele colocou-se ao lado de Cristo crucificado e ressuscitado e pôs-se ao serviço do seu Evangelho. Esta mudança radical de campo na vida de São Paulo contém uma mensagem libertadora para nós: Se Cristo ressuscitado chamou Saulo, perseguidor dos cristãos a ser um dos seus apóstolos e lhe deu um nome novo, o de Paulo, torna-se evidente que, para Cristo, não há caso desesperado. Mesmo se um homem caiu muito baixo, ele nunca cairá mais baixo que nos braços abertos e nas mãos estendidas de Jesus Cristo. É também evidente que um tal encontro com Cristo ressuscitado mudará de alto a baixo a vida deste homem.

 

O que São Paulo viveu no caminho de Damasco, ele fê-lo em seguida pelo conteúdo do seu ensinamento, esta graça de Deus que convida os homens a se reconciliarem com Deus, consigo mesmos e com os outros. São Paulo estava também convencido que esta mensagem não pode somente tocar os judeus mas muito mais que ela tem um significado universal e que diz respeito a todos os homens. Pois o Deus que se revelou a ele em Jesus Cristo é o Deus de todos os homens e de toda a criação.

 

São Paulo Missionário

 

Aqui se manifesta o verdadeiro impulso para numerosas viagens que Paulo empreendeu e que o conduziram à Europa. Aí, Paulo proclamou pela primeira vez o Evangelho na Macedónia. A motivação mais profunda da sua actividade missionária consiste simplesmente neste facto, que ele queria dar gratuitamente o que ele mesmo recebeu gratuitamente. Ou bem para dizer com as suas próprias palavras: “O amor de Cristo nos constrange…” (2Cor 5,14) É somente neste amor que São Paulo pôde fazer frente a todas as situações difíceis e por vezes desesperadas às quais foi confrontado. E é somente neste amor também que ele estava pronto a dar a sua própria vida pela fé em Cristo. O facto de que o Evangelho de Cristo chegou às nossas latitudes, de modo que nós pudéssemos vivê-lo, devemo-lo essencialmente ao apóstolo das nações. Esta lembrança reconhecida obriga-nos, a nós cristãos, a tomar evidentemente a sério hoje também a nossa missão e anunciar o Evangelho de maneira nova, numa Europa tornada largamente neo-pagã. Uma tal evangelização nova só terá êxito com credibilidade, se a sua razão de ser como em S. Paulo é o amor, que não viveu para atingir outros objectivos ou mesmo objectivos de interesse pessoal, mas o amor que é sempre gratuito. A partir daí revela-se o segredo vital de São Paulo: Ele importava-se em colocar Jesus Cristo no centro da sua própria vida e de o fazer conhecer aos homens. É nisto que consiste a nova orientação da sua vida depois da conversão de Damasco: Aquele que é justificado por Cristo, quer dizer alcançado, já não vive para si mesmo e já não tem a sua própria justiça. Ele vive com Cristo, fazendo dom de si mesmo e fazendo crescer a sua participação no próprio destino de Jesus Cristo. Ou bem, com as próprias palavras de São Paulo: «Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e se entregou por mim» (Gal 2, 19b- 20).

 

 

O Baptismo como processo místico

 

 

É com estas palavras profundas que São Paulo nos descreveu o que se passa no baptismo No baptismo o candidato é englobado no movimento de Jesus Cristo, que passa da morte à vida, movimento que São Paulo descreve com tanta insistência na leitura de hoje (Rom 5, 12-19). O baptismo significa aos olhos de São Paulo uma mudança radical de existência, passagem da vida “carnal”, entregue ao pecado e à morte, à vida “espiritual”, dirigida pelo Espírito de Deus, no sentido da libertação para o ser verdadeiro. Esta deve tomar forma numa mudança radical da maneira de viver que inclui, acima de tudo, viver em conformidade e em amizade pessoal com Cristo. Para São Paulo, o baptismo não é somente um sacramento que poderia ser realizado pura e exteriormente; trata-se mais para ele duma mudança interior do baptizado. Para São Paulo, não basta que estejamos baptizados; para ele é mais determinante que estejamos “em Cristo” e que vivamos com Ele. Quando São Paulo põe fortemente em evidência esta interpenetração de Cristo e do baptizado, poder-se-ia falar duma dimensão interiorizada, até mesmo mística da visão paulina do baptismo. Na situação pastoral de hoje, poderíamos e deveríamos tornar-nos a orientar a partir desta visão profunda. Pois o baptismo só atingirá o seu objectivo lá onde ele convida a entrar numa amizade pessoal com Cristo. Aprofundar isto ou renová-lo, é também o sentido da Quaresma que visa a renovação das nossas promessas de baptismo na celebração da vigília pascal, a celebração mais importante da comunidade dos fiéis no ano litúrgico.

Cristo e a Igreja

 

Daí, o vínculo de São Paulo com a Igreja ilumina-se de uma luz nova. Em primeiro lugar, parece que São Paulo não veio a Cristo pelo caminho ordinário, quer dizer, pela Igreja, embora ele tenha encontrado a Igreja antes do seu encontro com Cristo. Este encontro tinha sido totalmente contra produtivo; ele não conduziu à adesão, mas à recusa nítida e por isso, à perseguição da Igreja. É somente a intervenção directa de Cristo na vida de São Paulo no caminho de Damasco que vai levá-lo à adesão à Igreja de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, salta aos olhos, no relato de São Lucas, que o próprio Cristo se identifica com a Igreja quando diz a São Paulo: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” (Act 9,4). Cristo faz compreender a São Paulo que perseguir a Igreja, significa, no fundo, perseguir o próprio Cristo. Quando São Paulo perseguia a Igreja, ele perseguia igualmente a Cristo. Inversamente, isto significa que São Paulo, no caminho de Damasco, não somente se converteu a Cristo, mas ao mesmo tempo também à sua Igreja. Esta experiência da Igreja feita por São Paulo, mostra que não podemos separar Cristo da Igreja, como um slogan, na moda há algumas dezenas de anos, o pretextava e o proclamava: “Jesus, sim, a Igreja não”. Não pode haver contradição entre Cristo e a Igreja e isto apesar dos pecados numerosos dos homens que formam a Igreja. O slogan “Jesus, sim, a Igreja não”, não é seguramente cristão e já não corresponde à intenção de São Paulo. É mais palpável na sua descrição preferida da Igreja como “corpo de Cristo”, ao qual pertencem os baptizados e onde todos colaboram na construção da Igreja. A raiz mais profunda desta representação da Igreja como “corpo de Cristo” repousa para São Paulo na Eucaristia como sacramento do Corpo de Cristo no qual Cristo nos dá o seu corpo e nos transforma assim no seu corpo eclesial para que a Eucaristia seja sempre o lugar onde nasce a Igreja. Toda a vida eclesial decorre da Eucaristia e se constitui de novo à volta do altar de Jesus Cristo

 

Renovação da fé cristã e da Igreja

 

É assim que o ciclo está fechado: São Paulo liga importância ao facto que ele não se tornou cristão e apóstolo pelos seus esforços pessoais mas por um apelo de Cristo. O que ele tinha recebido gratuitamente, ele queria dá-lo gratuitamente e tornou-se por isso o apóstolo das nações. A motivação mais profunda das suas viagens era o amor que ele tinha recebido de Cristo, amor ao qual o baptismo dá uma participação interior. A partir daí, ele estava ainda mais convencido que a Igreja é o Corpo de Cristo e que ela é assim chamada a pôr Cristo no centro da sua vida e dá-la aos homens. É nestas perspectivas fundamentais que São Paulo é um modelo credível para ser cristão hoje e para a vida da Igreja. Façamos deste “ano S. Paulo” uma bela ocasião de remergulharmos nas cartas preciosas de São Paulo.

Aprofundemos o nosso próprio baptismo durante a Quaresma, de maneira a podermos renovar as nossas promessas de baptismo por ocasião da vigília pascal. No caminho para a Páscoa desejo-vos o melhor e, para vos acompanhar, a bênção de Deus.

 

 

+ Kurt Koch

 

Bispo de Basileia

 

Soleure, Quaresma de 2008

 

 

SÃO PAULO UM MODELO CREDÍVEL PARA

SER CRISTÃO HOJE

 

 

 

Mensagem do Bispo para a Quaresma 2008

 

Kurt Koch – Bispo de Basileia  

 

 

Queridas irmãs e irmãos,

 

Para este ano e para o próximo ano, o Papa Bento XVI anunciou um “ano S. Paulo” à memória e em reconhecimento a este apóstolo das nações, por ocasião do 2000 º aniversário do seu nascimento, que os historiadores situam entre 7 e 10 depois do nascimento de Cristo. São Paulo não pertence somente às personalidades mais impressionantes e às figuras mais marcantes da Igreja primitiva, ele tem também muito a dizer na situação actual da Igreja. É por esta razão que vos convido a acolher com curiosidade a sua compreensão fundamental da fé.

 

 

Apóstolo por conversão

 

 

Já a maneira pela qual São Paulo se tornou cristão é impressionante. Antes já da sua conversão, ele não era em nenhum caso um homem para quem Deus nada significasse e que estaria afastado da sua lei. Muito mais, ele era um judeu recto de tal modo que a nova fé dos cristãos, para quem já não é pela lei de Deus que está no centro, mas a pessoa de Cristo crucificado e ressuscitado, ele a julga escandalosa e como inaceitável para a fé judaica. A partir daí, ele se sentiu obrigado a perseguir os adeptos de Jesus Cristo, mesmo no exterior de Jerusalém. Isto mudou da maneira fulminante com o acontecimento de Damasco, quando São Paulo encontrou Cristo e foi tocado pela sua luz. A partir desse momento, ele colocou-se ao lado de Cristo crucificado e ressuscitado e pôs-se ao serviço do seu Evangelho. Esta mudança radical de campo na vida de São Paulo contém uma mensagem libertadora para nós: Se Cristo ressuscitado chamou Saulo, perseguidor dos cristãos a ser um dos seus apóstolos e lhe deu um nome novo, o de Paulo, torna-se evidente que, para Cristo, não há caso desesperado. Mesmo se um homem caiu muito baixo, ele nunca cairá mais baixo que nos braços abertos e nas mãos estendidas de Jesus Cristo. É também evidente que um tal encontro com Cristo ressuscitado mudará de alto a baixo a vida deste homem.

 

O que São Paulo viveu no caminho de Damasco, ele fê-lo em seguida pelo conteúdo do seu ensinamento, esta graça de Deus que convida os homens a se reconciliarem com Deus, consigo mesmos e com os outros. São Paulo estava também convencido que esta mensagem não pode somente tocar os judeus mas muito mais que ela tem um significado universal e que diz respeito a todos os homens. Pois o Deus que se revelou a ele em Jesus Cristo é o Deus de todos os homens e de toda a criação.

 

São Paulo Missionário

 

Aqui se manifesta o verdadeiro impulso para numerosas viagens que Paulo empreendeu e que o conduziram à Europa. Aí, Paulo proclamou pela primeira vez o Evangelho na Macedónia. A motivação mais profunda da sua actividade missionária consiste simplesmente neste facto, que ele queria dar gratuitamente o que ele mesmo recebeu gratuitamente. Ou bem para dizer com as suas próprias palavras: “O amor de Cristo nos constrange…” (2Cor 5,14) É somente neste amor que São Paulo pôde fazer frente a todas as situações difíceis e por vezes desesperadas às quais foi confrontado. E é somente neste amor também que ele estava pronto a dar a sua própria vida pela fé em Cristo. O facto de que o Evangelho de Cristo chegou às nossas latitudes, de modo que nós pudéssemos vivê-lo, devemo-lo essencialmente ao apóstolo das nações. Esta lembrança reconhecida obriga-nos, a nós cristãos, a tomar evidentemente a sério hoje também a nossa missão e anunciar o Evangelho de maneira nova, numa Europa tornada largamente neo-pagã. Uma tal evangelização nova só terá êxito com credibilidade, se a sua razão de ser como em S. Paulo é o amor, que não viveu para atingir outros objectivos ou mesmo objectivos de interesse pessoal, mas o amor que é sempre gratuito. A partir daí revela-se o segredo vital de São Paulo: Ele importava-se em colocar Jesus Cristo no centro da sua própria vida e de o fazer conhecer aos homens. É nisto que consiste a nova orientação da sua vida depois da conversão de Damasco: Aquele que é justificado por Cristo, quer dizer alcançado, já não vive para si mesmo e já não tem a sua própria justiça. Ele vive com Cristo, fazendo dom de si mesmo e fazendo crescer a sua participação no próprio destino de Jesus Cristo. Ou bem, com as próprias palavras de São Paulo: «Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e se entregou por mim» (Gal 2, 19b- 20).

 

 

O Baptismo como processo místico

 

 

É com estas palavras profundas que São Paulo nos descreveu o que se passa no baptismo No baptismo o candidato é englobado no movimento de Jesus Cristo, que passa da morte à vida, movimento que São Paulo descreve com tanta insistência na leitura de hoje (Rom 5, 12-19). O baptismo significa aos olhos de São Paulo uma mudança radical de existência, passagem da vida “carnal”, entregue ao pecado e à morte, à vida “espiritual”, dirigida pelo Espírito de Deus, no sentido da libertação para o ser verdadeiro. Esta deve tomar forma numa mudança radical da maneira de viver que inclui, acima de tudo, viver em conformidade e em amizade pessoal com Cristo. Para São Paulo, o baptismo não é somente um sacramento que poderia ser realizado pura e exteriormente; trata-se mais para ele duma mudança interior do baptizado. Para São Paulo, não basta que estejamos baptizados; para ele é mais determinante que estejamos “em Cristo” e que vivamos com Ele. Quando São Paulo põe fortemente em evidência esta interpenetração de Cristo e do baptizado, poder-se-ia falar duma dimensão interiorizada, até mesmo mística da visão paulina do baptismo. Na situação pastoral de hoje, poderíamos e deveríamos tornar-nos a orientar a partir desta visão profunda. Pois o baptismo só atingirá o seu objectivo lá onde ele convida a entrar numa amizade pessoal com Cristo. Aprofundar isto ou renová-lo, é também o sentido da Quaresma que visa a renovação das nossas promessas de baptismo na celebração da vigília pascal, a celebração mais importante da comunidade dos fiéis no ano litúrgico.

Cristo e a Igreja

 

Daí, o vínculo de São Paulo com a Igreja ilumina-se de uma luz nova. Em primeiro lugar, parece que São Paulo não veio a Cristo pelo caminho ordinário, quer dizer, pela Igreja, embora ele tenha encontrado a Igreja antes do seu encontro com Cristo. Este encontro tinha sido totalmente contra produtivo; ele não conduziu à adesão, mas à recusa nítida e por isso, à perseguição da Igreja. É somente a intervenção directa de Cristo na vida de São Paulo no caminho de Damasco que vai levá-lo à adesão à Igreja de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, salta aos olhos, no relato de São Lucas, que o próprio Cristo se identifica com a Igreja quando diz a São Paulo: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” (Act 9,4). Cristo faz compreender a São Paulo que perseguir a Igreja, significa, no fundo, perseguir o próprio Cristo. Quando São Paulo perseguia a Igreja, ele perseguia igualmente a Cristo. Inversamente, isto significa que São Paulo, no caminho de Damasco, não somente se converteu a Cristo, mas ao mesmo tempo também à sua Igreja. Esta experiência da Igreja feita por São Paulo, mostra que não podemos separar Cristo da Igreja, como um slogan, na moda há algumas dezenas de anos, o pretextava e o proclamava: “Jesus, sim, a Igreja não”. Não pode haver contradição entre Cristo e a Igreja e isto apesar dos pecados numerosos dos homens que formam a Igreja. O slogan “Jesus, sim, a Igreja não”, não é seguramente cristão e já não corresponde à intenção de São Paulo. É mais palpável na sua descrição preferida da Igreja como “corpo de Cristo”, ao qual pertencem os baptizados e onde todos colaboram na construção da Igreja. A raiz mais profunda desta representação da Igreja como “corpo de Cristo” repousa para São Paulo na Eucaristia como sacramento do Corpo de Cristo no qual Cristo nos dá o seu corpo e nos transforma assim no seu corpo eclesial para que a Eucaristia seja sempre o lugar onde nasce a Igreja. Toda a vida eclesial decorre da Eucaristia e se constitui de novo à volta do altar de Jesus Cristo

 

Renovação da fé cristã e da Igreja

 

É assim que o ciclo está fechado: São Paulo liga importância ao facto que ele não se tornou cristão e apóstolo pelos seus esforços pessoais mas por um apelo de Cristo. O que ele tinha recebido gratuitamente, ele queria dá-lo gratuitamente e tornou-se por isso o apóstolo das nações. A motivação mais profunda das suas viagens era o amor que ele tinha recebido de Cristo, amor ao qual o baptismo dá uma participação interior. A partir daí, ele estava ainda mais convencido que a Igreja é o Corpo de Cristo e que ela é assim chamada a pôr Cristo no centro da sua vida e dá-la aos homens. É nestas perspectivas fundamentais que São Paulo é um modelo credível para ser cristão hoje e para a vida da Igreja. Façamos deste “ano S. Paulo” uma bela ocasião de remergulharmos nas cartas preciosas de São Paulo.

Aprofundemos o nosso próprio baptismo durante a Quaresma, de maneira a podermos renovar as nossas promessas de baptismo por ocasião da vigília pascal. No caminho para a Páscoa desejo-vos o melhor e, para vos acompanhar, a bênção de Deus.

 

 

+ Kurt Koch

 

Bispo de Basileia

 

Soleure, Quaresma de 2008

 

 

 

 

«A vida para mim, é Cristo». São Paulo

 

Deus, para ele, foi sempre Alguém, o grande presente e o grande vivente, e Paulo nunca Lhe respondeu a meias. O acontecimento do caminho de Damasco inaugurou muito menos uma conversão de  Paulo do que orientando toda as suas forças vivas para o testemunho dado a Jesus  ressuscitado.

Mas este encontro com Cristo criou nele uma novidade radical, e doravante Paulo já não vive pela sua conta própria. Já não procura nem felicidade, nem êxito, nem influência, nem realização de si próprio fora de Cristo: «A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim» (Gal 2, 20). Deus, que o tinha posto à parte no seio da sua mãe, e o chamou pela sua graça, houve por bem revelar-lhe o seu Filho para que ele O anunciasse entre os gentios (Gal 1,15s); e desde esse dia Paulo já não tem outro projecto senão coincidir com o projecto de Deus, o «mistério» durante muito tempo velado e agora revelado. Ele foi alcançado por Jesus Cristo e lança-se agora para procurar alcançá-Lo (Fil 3,12). Para ele, viver é Cristo (Fil 1,21); vive certamente, mas na própria medida em que deixa Cristo viver nele (Gal 2, 20). «Se vivemos, escreve Paulo, é para o Senhor que vivemos (Rom 14, 8).

 Certo do chamamento de Deus, consciente de ser enviado em cada dia, Paulo apressa-se, porque o tempo é breve (1 Cor 7,29). «Anunciar o Evangelho, é uma necessidade que se impõe a mim. Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor 9,16). Por toda a parte e a todo o momento, até na impotência da sua prisão, Paulo é embaixador de Cristo (2 Cor 5, 20; Ef 6,20). Jean Lévêque, carmelita, da província de Paris

 «A minha vida, é  Jesus Cristo» Maria Rivier

 Maria Rivier está de tal modo cheia de Jesus Cristo que o seu coração bate ao ritmo do coração de Deus. Ela desposa todos os seus sentimentos, comunga intensamente em todos os mistérios da sua vida. O testemunho que ela deixou é o testemunho duma vida transformada pela profundidade da sua identificação com Cristo. Apropriava-se a tal ponto dos mistérios de Cristo que se pôde dizer acerca dela que as suas acções exteriores bem como as suas palavras, respiravam não sei que semelhança com o mistério de Cristo cuja memória se celebrava. (Hamon p 295 – Vie de madame Rivier).

Maria Rivier dá o exemplo duma vida tão totalmente escondida na vida de Cristo, que pode dizer ao mundo em busca da verdade, o que se dizia dela: sem receio tomai-me como modelo, porque eu própria nunca tive outro modelo senão Jesus Cristo. (1 Cor 4, 16; VJC t.I p. IV)

É preciso que Jesus Cristo fale em nós como falava em São Paulo: que ele actue e que viva nele para que possamos dizer como este grande apóstolo: «Já não sou eu que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim (Gal 2, 20); o meu coração é o lugar das suas delícias, e é o paraíso do meu coração. (Escritos espirituais p. 2)

Reflexão: A minha vida segue Cristo

O Filho, caminho que conduz ao Pai (cf. Jo 14,6), chama todos aqueles que o Pai Lhe deu (cf. Jo 17,9) a um seguimento que dá orientação à sua existência. A alguns porém – precisamente as pessoas de vida consagrada – Cristo pede uma adesão total, que implica o abandono de tudo (cf. Mt 19,27) para viver na intimidade com Ele e segui-Lo por onde quer que vá (Cf. Ap 14,4).

No olhar de Jesus (cf. Mc 10,21), «imagem do Deus invisível» (Col 1,15) resplendor da glória do Pai (cf. Heb 1,3), vê-se a profundidade de um amor eterno e infinito que atinge as raízes do ser. A pessoa que se deixa seduzir não pode deixar de abandonar tudo e segui-Lo (cf. Mc 1, 16-2 0; 2, 14; 10, 21-28). À semelhança de Paulo, considera tudo o resto como «perda, comparado com o supremo conhecimento de Cristo Jesus» não hesitando em reputar tudo o mais como «lixo, para ganhar a Cristo» (Fil 3,8). Aspira a identificar-se com Ele, tendo os mesmos sentimentos e a mesma forma de vida. Esta maneira de tudo abandonar e de seguir o Senhor (cf. Lc 18,28) constitui um programa válido para todas as pessoas chamadas e para todos os tempos. VC 18

O mundo e a Igreja procuram autênticas testemunhas de Cristo. E a vida consagrada é um dom oferecido por Deus para que seja colocado aos olhos de todos o «único necessário» (cf. Lc 10, 42). Na Igreja e no mundo, a vida consagrada tem especialmente por missão dar testemunho de Cristo pela vida, pelas obras e pela palavra. Vós sabeis em quem pusestes a vossa confiança (cf. 2 Tim 1,12): dai -Lhe tudo! Nunca esqueçais que vós, de modo muito particular, podeis e deveis dizer não só que sois de Cristo, mas que «vos tornastes Cristo». VC 109

* * * * * * * 

Testemunho de vida

O Evangelho deve ser proclamado por um testemunho. Eis um cristão ou um grupo de cristãos que, no seio da comunidade humana na qual vivem, manifestam a sua capacidade de compreensão e de acolhimento, a sua comunhão de vida e de destino com os outros, a sua solidariedade nos esforços de todos, por tudo o que é nobre e bom. Eis que, além disso, eles irradiam, de uma maneira muito simples e espontânea, a sua fé em valores que estão para além dos valores correntes, e a sua esperança em qualquer coisa que não se vê, de que não se ousaria sonhar. Por este testemunho de palavras, os cristãos fazem subir, no coração daqueles que os vêem viver, questões irresistíveis: Por que razão são eles assim? Porque vivem desta maneira? O que – ou quem – os inspira? Um tal testemunho é já proclamação silenciosa mas muito forte e eficaz da Boa Nova… questões surgiram, mais profundas e mais empenhadas, provocadas por este testemunho que comporta presença, participação, solidariedade, e que é um elemento essencial na evangelização.

… é bom sublinhar isto: para a Igreja, o testemunho duma vida autenticamente cristã, entregue a Deus numa comunhão que nada deve interromper, mas igualmente dada ao próximo com um zelo sem limites, é o primeiro meio de evangelização. «O homem contemporâneo escuta de mais boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas». 8 de Dezembro  1975, EVANGELI NUNTIANDI ,  nº 20, 41

 

 

SOFRIMENTOS

POR AMOR DE CRISTO

 S. Paulo

 «Tudo posso n’Aquele que me fortalece». Fil 4,13

 

Só Cristo Jesus pôde fortalecer o apóstolo Paulo nos combates e nas dificuldades da sua vida apostólica.

No apostolado de Paulo, as dificuldades que ele enfrenta com coragem por amor de Cristo, não faltaram. Ele próprio lembra ter conhecido «a fadiga…a prisão…açoites…o perigo da morte… : três vezes fui flagelado; uma vez, apedrejado; três vezes naufraguei…; muitas vezes a pé nas viagens, com os perigos nos rios, perigos dos salteadores, perigos vindos dos judeus, perigos vindos dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos. Conheci a fadiga e os duros trabalhos, muitas vezes as noites sem sono, fome e sede, dias sem comer, frio e nudez, sem contar com todo o resto: a minha preocupação quotidiana, a solicitude que tenho por todas as Igrejas» (2 Cor 11, 23- 28).

Como não dar graças ao Senhor por nos ter dado um Apóstolo com esta envergadura? É claro que não lhe teria sido possível enfrentar situações tão difíceis e por vezes desesperadas, se não houvesse uma razão de valor absoluto, frente à qual nenhum limite podia ser considerado como intransponível. Para Paulo, esta razão, nós o sabemos, é Jesus Cristo, do qual ele escreve:

«Com efeito, o amor de Cristo se apodera de nós… a fim que os vivos já não tenham a sua vida centrada em si mesmos, mas sobre Ele, que morreu e ressuscitou por eles» (2 Cor 5, 14-15) por nós.

                                   Bento XVI – Vaticano, 21 de Junho de 2007

  

Maria Rivier  «Quem nos separará do amor de Jesus Cristo?» Rom 8, 35

Maria Rivier estava animada pela poderosa força de Jesus Cristo. Ela tornava-se assim invencível em todos os empreendimentos que Deus lhe inspirava.

A Mulher-Apóstolo não hesita apesar das contradições, das dificuldades, das situações julgadas impossíveis, lançar-se na sua missão: Fazer conhecer e amar Jesus Cristo. Não obstante a sua fraqueza, a sua ignorância, a pobreza dos meios, não discute com a vontade de Deus. Tem consciência que a sua indigência Lhe é agradável. Também com Paulo, ela se vangloria dos seus limites: «Agrada-me e alegro-me na minha fraqueza (2 Cor 12,10; VJC 1 p. 100). Não tenho talentos, nem virtudes, nem ciências, nem fortuna (Carta à Santíssima Virgem 24/08/1835). Ser considerada como inútil ou incapaz, fazer sorrir as «pessoas sábias» dos seus projectos, ser diminuída fisicamente pelas suas enfermidades, constitui o motivo da sua glória. Quando sou fraca, é então que sou forte; é então que estou mais perto de Deus; é então que a virtude de Jesus Cristo habita em mim, manifestada com mais vigor (VJC 1 p. 100).

Para falar de Jesus Cristo, nada fará parar o zelo da Mulher-Apóstolo. Os obstáculos são feitos para ser vencidos. Apesar dos seus medos, dos perigos da estrada, das ribeiras e das montanhas, do frio ou da fome, da febre e do mal-estar, nada porá um freio às suas viagens frequentes, em carriola ou a pé: sinto-me corajosa e forte para pular. (Carta de Maria Rivier sem nome)

Sempre preocupações espirituais e temporais, desgostos, aborrecimentos de todo o género, e digo: Fiat! E faço o melhor que posso, mas nunca como desejava. Com isto fico tranquila, ponho toda a minha confiança em Deus e desejo mais do que nunca tudo o que pode ser para a sua glória (Corr. à Ir. de Alcântara).

Reflexão

É na «vida de todos os dias» que Deus nos chama a atingir a maturidade da vida espiritual, que consiste precisamente em viver de maneira extraordinária as coisas comuns.

Com efeito, a santidade adquire-se seguindo Jesus, não evadindo-se da realidade e das suas provações, mas enfrentando-as com a luz e a força do seu Espírito. Tudo isto encontra a sua mais profunda compreensão no mistério da Cruz. Jesus convida os crentes a carregar todos os dias a sua cruz e a segui-Lo (cf. Mt 16, 24), imitando-O até ao dom total de si a Deus e aos seus irmãos.

Que a Virgem Maria nos ensine e nos ajude a fazer da nossa existência um cântico de louvor humilde e alegre a Deus, aos olhos do Qual um acto de amor vale mais que todo o empreendimento glorioso.

Que Maria nos sustente no nosso compromisso quotidiano para que, como exorta hoje o Apóstolo, não nos conformemos com a mentalidade do mundo, mas que renovemos o nosso espírito para «discernir qual é a vontade de Deus». (Rom 12, 2).

Angelus João  Paulo II, 01/09/ 02 

 

São Paulo

Apóstolo de Jesus Cristo

Conhecer São Paulo, é descobrir a unidade extraordinária deste homem e da sua vida. Para ele, ser apóstolo é seguir Jesus Cristo, fazer-se discípulo de Jesus Cristo e participar na sua vida e no mistério  de  Jesus Cristo.  É por esta razão que a sua missão apostólica  apoderou-se  dele, em todo o seu ser. 

A sua vida é Cristo ( Fil 1, 21).

Especificando a sua missão, Paulo define-se a si mesmo:

 «Apóstolo por vocação, escolhido para anunciar o Evangelho de Deus»  Rom 1,1.

«Não sou apóstolo?»  1 Cor 9,1.

«Servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo, para dar aos eleitos de Deus a fé»  Tit 1, 1.

«Ministro de Cristo Jesus entre os gentios» Rom 15, 16.

«Sacerdote do Evangelho de Deus» Rom 15, 16.

«Administrador dos mistérios de Deus»  1 Cor 4, 1.

Cooperador de Deus»  1 Cor 3,9.

«Enviado de Deus»  2 Cor 2, 17.

«Embaixador de Cristo»  2 Cor 5,20.

«Ministro de Deus»   2 Cor 6, 4.

«Ministro do Evangelho  Ef 3, 7.

              «Doutor dos gentios na fé e na verdade»  1 Tim 2, 7.

            «Arauto e apóstolo do testemunho»         1Tim 2,6.

            «Arauto, apóstolo e doutor do Evangelho» 2 Tim 1, 11.

              «Servo de Cristo Jesus» Rom 1,1.

            «Vossos servos por amor do Pai» 2 Cor 4,5.

            «Servos, por cujo intermédio abraçastes a fé»  1 Cor 3,5.

            «Servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus» 1 Cor 4, 1

 

Como realizou  São Paulo a sua vocação de Apóstolo?

 

Paulo está consciente de ser «apóstolo por vocação», quer dizer, não em virtude duma candidatura  espontânea nem dum cargo que lhe teria sido confiado humanamente, mas unicamente por um apelo e uma eleição divina. No seu epistolário, o Apóstolo das nações repete por várias vezes que  tudo na sua vida é o fruto da iniciativa gratuita e misericordiosa de Deus   (cf.  1 Cor 15, 9-10;  2 Cor 4,1; Gal 1,15).  Ele foi escolhido «para anunciar o Evangelho de Deus» (Rom1,1) para espalhar o anúncio da graça divina que reconcilia em Cristo, o homem com Deus, consigo mesmo e com os outros. O êxito do seu apostolado depende sobretudo duma implicação pessoal no anúncio do Evangelho com uma dedicação total por Cristo; uma dedicação que não temeu os riscos, as dificuldades e as perseguições: « Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus manifestado  está em Cristo Jesus Nosso Senhor» (Rom 8, 38-39). Bento XVI, 28 de Junho de 2008)

 

Maria Rivier

Apóstolo de Jesus Cristo

 

Maria Rivier, é a Mulher-Apóstolo. Apóstolo porque habitada pela presença d’Aquele que veio lançar o fogo sobre a terra e que não descansa enquanto não vir tudo incendiado pelo seu amor: Jesus Cristo. Maria Rivier faz parte daquelas mulheres, daqueles homens a quem chamamos Apóstolos. Sentia-se feita para anunciar Jesus Cristo, mostrar o céu e para lá conduzir o mundo inteiro.(Chama de fogo, p.44).

 

Pelos seus escritos e suas conversas, Maria Rivier revela-nos uma vida unificada e uma espiritualidade toda centrada em Jesus Cristo.

Sejamos verdadeiras cópias de Jesus Cristo. (Carta 05)

Caminhemos corajosamente em seguimento de Jesus, vosso divino Modelo. (Carta 834)

Nada façais sem consultar Jesus Cristo. (Carta 559)

Ah! Minhas Filhas, se tivéssemos o espírito e o coração de Jesus Cristo. (VJC II, p.183)

A nossa vocação sendo a vocação de Jesus Cristo, devemos ter o zelo como Jesus Cristo .(EV p.75)

Jesus Cristo vos pede um zelo ardente pela sua glória. (Corr. à Ir. Fabienne)

Tenho sede da salvação das almas, de procurar a glória de Deus. (VJC)

Trabalhai todos os dias em procurara glória de Deus, sacrificando-vos pela salvação das almas.(Carta 100)

Ah! Senhor, iria até ao fim do mundo para ganhar corações. (VJC II p.176-176)

Quem me dera ter mil vidas para ir trabalhar em todos  os lugares do mundo a fim de fazer conhecer Jesus Cristo.(Levar o fogo, p. 34)

É-nos necessário fogo e zelo na acção e sem abatimento  nas pequenas dificuldades. (Carta 898)

Teremos sempre fome da oração, da meditação e da Palavra de Deus.  (VJC, II 176-178)

As cruzes! Creio que me dão força (Carta à Ir. Valentine)

Quero fazer tudo e sofrer pelo amor de Jesus Cristo. (No fogo da sua ternura p. 217)   

 

                                   * * * * * *

Como Maria Rivier realizava a sua vocação de apóstolo?

Ele deixa-se conduzir por Aquele que a consagrou e enviou: avança na fé, com uma firme esperança.   Deixa-se instruir por Deus… Tem a certeza de ter sido escolhida por Deus para fazer a obra de Deus.

A acção de Maria Rivier é a acção de Cristo que opera nela. O seu ser é Cristo. Cristo está nela e ela vive  em Cristo. Tal, como Paulo, o perder-se ela própria em Cristo leva-a a uma união de vida, uma comunhão de pensamento, uma fusão dos corações: «É Cristo que vive em mim»  Gal 2,20

 

Maria Rivier não conta consigo mesma, mas espera tudo da graça de Deus, apoia-se na sua força e dá-lhe sem reserva toda a glória: «Por nós mesmas, seríamos incapazes de nos atribuir alguma coisa, mas a  nossa capacidade vem   de Deus». 2 Cor 3,5. E Deus deu-lhe as aptidões do apóstolo: o amor da verdade e a segurança da fé para testemunhar a Boa Nova trazida por Jesus Cristo. Totalmente consciente de ser conduzida pela mão de Deus, ela subscreve por sua conta a palavra de Paulo: «É pela graça de Deus que sou o que sou, e a sua graça em mim não  foi  vã: cansei-me mais do que eles todos, não eu, mas a graça de Deus  que  está comigo». 1 Cor 15,10

                                                                       (Tirado da Mulher-Apóstolo no rasto de São Paulo)

 

São Paulo e Maria Rivier

Uma mesma vocação: JESUS CRISTO

 

 Vocação de Paulo

 «Foi a caminho e já próximo de Damasco, no princípio dos anos 30,  que Saulo, segundo  as suas próprias palavras, foi «arrebatado por  Cristo Jesus» (Fil 3, 12).Enquanto que Lucas relata o facto com uma abundância de pormenores – como a luz do Ressuscitado o tocou e mudou profundamente toda a sua vida -, Paulo, nas suas cartas, vai  directamente  ao  essencial e   fala  não   somente   de   visão (cf. 1 Cor 9, 1),  mas de iluminação (cf. 2 Cor 4, 6) e sobretudo de revelação e de vocação no encontro com o Ressuscitado (cf. Gal 1, 15-16). Com efeito, ele definir-se-á explicitamente «apóstolo por vocação» (cf. Rom 1, 1 ; 1 Cor 1, 1) ou «apóstolo pela vontade de Deus» ( 2 Cor 1, 1 ; Ef 1, 1; Col 1, 1), como para sublinhar que a sua conversão não era o resultado dum desenvolvimento de pensamentos, de reflexões, mas o fruto duma graça divina imprevisível. A partir deste momento, tudo o que constituía para ele anteriormente um valor, torna-se paradoxalmente, segundo os seus próprios termos, uma perda e lixo (cf.  Fil 3, 7-10). E, a partir deste momento, todas as suas energias foram postas ao serviço exclusivo de Jesus Cristo e do seu Evangelho.» ( 1 Cor 9, 22) Catequese de Bento XVI  ROMA, 25 de Outubro de 2006

Vocação de Maria Rivier

«Foi a caminho e já próximo de Damasco, no princípio dos anos 30,  que Saulo, segundo as suas próprias palavras, foi «arrebatado por  Cristo Jesus »   ( Fil 3, 12). Enquanto  que  Lucas  relata  o  facto  com  uma abundância de pormenores – como a luz do Ressuscitado o tocou e mudou profundamente toda a sua vida -, Paulo, nas suas cartas, vai  directamente  ao  essencial e   fala  não   somente   de   visão (cf. 1 Cor 9, 1),  mas de iluminação (cf. 2 Cor 4, 6) e sobretudo de revelação e de vocação no encontro com o Ressuscitado (cf. Gal 1, 15-16). Com efeito, ele definir-se-á explicitamente «apóstolo por vocação» (cf. Rom 1, 1 ; 1 Cor 1, 1) ou «apóstolo pela vontade de Deus» ( 2 Cor 1, 1 ; Ef 1, 1; Col 1, 1), como para sublinhar que a sua conversão não era o resultado dum desenvolvimento de pensamentos, de reflexões, mas o fruto duma graça divina imprevisível. A partir deste momento, tudo o que constituía para ele anteriormente um valor, torna-se paradoxalmente, segundo os seus próprios termos, uma perda e lixo (cf.  Fil 3, 7-10). E, a partir deste momento, todas as suas energias foram postas ao serviço exclusivo de Jesus Cristo e do seu Evangelho.» ( 1 Cor 9, 22) Catequese de Bento XVI  ROMA, 25 de Outubro de 2006

           

Vocação de Maria Rivier

 Por detrás do altar dos Penitentes de Montpezat, a Madre Rivier ficou bem de pressa cheia da presença de Jesus. Como Paulo a caminho de Damasco,   ela encontrou Cristo: «Aprouve Àquele que me tinha posto à parte desde o ventre  da   minha mãe, revelar-me seu Filho» Gal 1, 15.  Bem depressa, ela tem consciência de ser chamada para uma missão particular…«A nossa vocação, dizia ela, é Jesus Cristo». Como todos os apóstolos, Maria Rivier torna-se «um instrumento de eleição» para anunciar a Boa Nova. Não é ela como Paulo: «Apóstolo de Jesus Cristo por decisão de Deus que a chamou?».1 Cor 1,1

 

Ao longo da sua missão, ela avança na fé pois a sua tarefa ultrapassa as suas forças humanas e não pode ser sua obra pessoal Tudo se enraíza na contemplação d’Aquele que ela viu nos braços da sua Mãe. «Eu pertenço a Jesus Cristo e nada no mundo me poderá separar d’Ele»  (VJC t2 p. 103). Maria Rivier está consciente que Cristo a chama a tomar parte na sua missão de salvação. É preciso que ela seja mais do que uma serva, mais do que uma discípula, mais do que uma amiga, mas bem: um «novo Jesus Cristo vivo». Numa instrução sobre Jesus Cristo, ela dizia às suas filhas: «É preciso que Ele fale em nós como falava em  São Paulo; é preciso que Ele haja em nós e que Ele viva em nós, a fim de que possamos dizer como o grande apóstolo Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»  ES p.13

 

Reflexão

«Temos necessidade de São Paulo, do seu ensinamento, para ter mais coragem na vida cristã, e sobretudo temos necessidade de experimentar, nós também, este encontro que mudou a vida de Paulo de Tarso e toda a trama da história da Igreja e do mundo inteiro: o encontro de Paulo com Jesus… O seu encontro com Jesus tornou-o forte para encontrar todo o homem, a fim de ser, como ele diz, «tudo para todos» para que cada um obtenha a inteligência pelo conhecimento de Cristo,  a fim de ganhar o mundo e todos os homens a Jesus Cristo.

 

Hoje, o mundo tem mais do que nunca necessidade deste encontro verdadeiro com Cristo, na fé, a fim de que possamos enfrentar o mundo, a natureza, o meio ambiente, toda a criação como Deus o fez. O encontro com Deus está na base do encontro das civilizações, das culturas, dos povos e das nações na sua diversidade e nas suas crenças. O encontro com a pessoa de Jesus Cristo é a base da verdadeira mundialização, da verdadeira globalização.»

(Homilia de Sua Beatitude o  patriarca Gregório III Laham, quinta-feira 8 de Maio de 2008, na basílica de São-Paulo- fora-de-Muros.

 

           Oração a  São Paulo

 

Glorioso São Paulo,

Apóstolo cheio de zelo,

Mártir por amor de Cristo,

obtém-nos uma fé profunda,

uma esperança firme,

um amor ardente pelo Senhor

a fim de que possamos dizer contigo:

«Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim».

Ajuda-nos a nos tornarmos apóstolos

que servem a Igreja com uma consciência pura,

testemunhas da sua grandeza e da sua beleza

no meio das dificuldades do nosso tempo.

Contigo, nós louvamos  Deus nosso Pai,

‘A Ele a glória, na Igreja e em Cristo

por todas as gerações e por todos os séculos.’

Amen.   (http://catholique-nanterre.cef.fr/Prier)

 

Oração de Maria Rivier

pelos membros da sua grande família

 

«Não cesso de dar graças  a Deus por vós,

lembrando-me de vós nas minhas orações:

que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo,

o Pai da glória,

vos conceda um espírito de sabedoria

e de revelação, no seu conhecimento,

e que Ele ilumine os olhos do vosso coração,

a fim de saberdes qual é a esperança

que constitui o seu chamamento,

qual é a riqueza da glória

da sua herança que Ele reserva aos santos,

e qual é para nós que acreditamos

a infinita grandeza do seu poder,

manifestando-se com eficácia pela virtude da sua força.»

Ef 1, 16 ss

 

 

 

Celebramos este ano o bimilenário do nascimento de São Paulo. Nesta ocasião, o papa Bento XVI convida-nos a fazer deste ano 2008-2009, uma peregrinação interior nas pegadas de Paulo. Uma maneira de nos lembrarmos que a Igreja tem necessidade mais do que nunca de testemunhas semelhantes a São Paulo, capazes como ele de dar a sua vida por Cristo.

Paulo fez a experiência dum encontro que mudou a sua vida. De perseguidor, transformou-se em discípulo de Jesus a ponto de poder dizer: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gal 2,20). Em seguimento de Paulo, homens e mulheres, ainda hoje, se deixam transformar por Cristo.

Como não pensar em Maria Rivier, mulher de fogo, coração apaixonado, na sua fé viva, na sua esperança intrépida? A sua vida foi a de uma mulher possuída por Cristo: «A minha vida, é Cristo» dizia ela e ainda «Eu não poderia dormir se passasse o dia sem falar de Jesus Cristo». As suas frequentes instruções estão centradas em Jesus Cristo: «Eu só quero falar-vos de Jesus Cristo e ensinar-vos sem cessar a amá-Lo e a imitá-Lo. É esta a nossa vocação».

Maria Rivier fez-se discípula de Paulo porque encontrou neste Apóstolo o seu caminho para seguir Jesus Cristo. Não somente cita frequentemente os escritos de São Paulo, mas nomeia-o expressamente várias vezes seguidas nas suas cartas e instruções: «Revistamo-nos de Jesus Cristo (…) a fim de sermos por toda a parte, como diz São Paulo, o bom odor de Jesus Cristo». «Desejo ardentemente que vos encheis de Jesus Cristo; que Ele seja a vossa luz, a vossa força, o vosso tudo e que possais dizer, como São Paulo, já não sou eu que vivo, é Jesus Cristo que vive em mim».

Ao longo dos próximos meses, convido-vos a melhor descobrir a «mulher apóstolo» no rasto de Paulo, este apóstolo audacioso que espalhou a Boa Nova do Evangelho em todas as nações do seu tempo.

Para aprofundar o nosso conhecimento de São Paulo, os artigos das revistas e os sites web são numerosos e muito interessantes. (www.anneesaintpaul.frwww.annopaolino.org). Para melhor descobrir Maria Rivier como discípula de São Paulo, encontrareis em cada mês neste site, textos extraídos de documentos do nosso tesouro de família: Tempo Rivier, Caderno 2 de Janeiro 88 assim como uma pesquisa feita pela Irmã Geneviève Couriaud sobre Maria Rivier, discípula de São Paulo. Obrigada à Irmã Germaine Boivin, à Irmã Patrícia Sofia Mendonça e à Irmã Maria de Lourdes, assim como às nossas tradutoras que pelas suas diversas competências, vão facilitar esta peregrinação interior.

Como São Paulo, como Maria Rivier, possamos nós encontrar a nossa alegria em anunciar Jesus Cristo! Sejamos um Evangelho aberto onde todos possam ler Jesus Cristo.

                                                                                  S. Angèle Dion, p.m.

                                                                                     Superiora geral

 

A VIDA DO BAPTIZADO 

segundo  SÃO PAULO e  MARIARIVIER

«Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»   (Gal 2, 20). Estamos no centro da doutrina paulina: a grande novidade é a vida nova conferida ao baptizado por uma morte misteriosa com Cristo. Nós também estamos no centro da espiritualidade de Maria Rivier:  «A minha vida, é a vida de Jesus Cristo»    (Carta à Irmã Sofia).

 Maria Rivier faz sua a teologia baptismal de Paulo. Mergulhado na água do baptismo, o baptizado transforma-se numa criatura nova. Entra em comunhão de vida com Cristo e faz um só com Ele. A fé toda centrada em Cristo morto e ressuscitado, exige o dom sem reserva de si mesmo, o consentimento a abrir-se ao mistério pascal, a acolhê-lo, a assimilá-lo, a vivê-lo: «A minha vida presente na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim» (Gal 2, 20; VJC t 3, p. 364).

 Em Cristo, comenta Maria Rivier, somos chamadas a viver desta vida nova, a passar do pecado à graça, do vício à virtude, do amor de si ao amor de Deus, das inclinações do homem velho ao homem novo. «Fomos sepultados com Ele pelo baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, para a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova»     (Rom 6,4; VJC t 3, p. 13-14).

 Considerando esta vida nova, Maria Rivier desenvolve a inacreditável realidade da nossa vida em Cristo, a aspiração e a aptidão à conformidade com Cristo ressuscitado. Porque somos enxertados em Cristo, a nossa pátria está no céu. Se é com um legítimo orgulho que Paulo afirma:  «Somos cidadãos dos céus». É com uma semelhante alegria que Maria Rivier incita as suas irmãs a serem «Filhas do Céu, a viver como filhas ressuscitadas»  (Carta à irmã Zoé, 1836).

 E do mesmo modo que Paulo lembra aos cristãos de Colossos a sua dignidade de habitantes do céu e os deveres que daí decorrem, do mesmo modo Maria Rivier exorta as suas filhas a viver na inteligência do mistério de Deus, em conformidade com a verdade do seu ser. Maria Rivier confirma a nossa necessária comunhão com a vida de Cristo ressuscitado para não deixar inactiva a união com Deus recebida no baptismo: «Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus»     (Col 3,3; VJC t 3, p.299).

 Imitar Cristo, viver da sua vida, não avançam sem a necessária morte a si mesma, sem ascese, sem o consentimento a perder a sua vida, para viver unida a Deus na caridade. «Custe o que custar, é preciso desprender-se de tudo e morrer a vós mesmas para pertencer  a Deus e somente a Deus»  (Irmã Sofia, processo de beatificação).

 Devemos revestir-nos de Jesus Cristo, quer dizer, revestir as suas virtudes, a sua humildade,  paciência,  mansidão,  constância e obediência. «Dêmos-Lhe vida por vida; vivamos somente para Ele; morramos à natureza, para só viver da graça. Ó feliz morte que nos dá a vida em Jesus Cristo e que nos faz viver da vida de Jesus Cristo» (VJC t 1, p. 67).

 Maria Rivier em seguimento de Paulo exprime a entrega total a Cristo nesta palavra tão densa  que ela repetirá muitas vezes: «Já não sou eu que vivo,  é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20; VJC t 3, p. 173).

 

A ORAÇÃO DO APÓSTOLO S. Paulo 

A oração de Paulo é uma intercessão contínua: «Não cesso de orar por vós» Col 1, 9; «Noite e dia, peço a Deus» 1 Tes 3, 10. A sua oração subentende toda a sua actividade de apóstolo «Vivei na oração e na súplica, intercedei por todos os santos» Ef 6, 18. Paulo intercede sem cessar «em Cristo» pela «salvação dos homens» 1 Tim 2, 3. Ele torna-se, em razão da sua missão, como a própria boca de Cristo nesta terra… (J. Huguet)

A acção de graças ocupa um grande lugar na oração pessoal de Paulo e é um reflexo que procura inculcar em todos os seus convertidos. De instinto, Paulo agradece e faz agradecer. As comunidades enquanto tais devem também sustentar-se mutuamente pela oração: é o sinal mais verdadeiro da sua amizade (2 Cor 9, 14). Incumbe-lhes também alargar os seus pedidos, como responsáveis do universal: «Recomendo-te antes de tudo que se façam pedidos, orações, súplicas e acções de graças… para que possamos ter uma vida calma e pacífica, com toda a piedade e dignidade» (1 Tim 2,1).

A oração de pedido deve tornar-se o reflexo de cada crente, especialmente quando ele deixou a paz de Deus: «Não vos inquieteis por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e pela súplica, com acção de graças, apresentai a Deus todas as vossas necessidades. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus». (Fil 4,6).

A oração contínua dos irmãos cristãos deve igualmente assumir as necessidades de todos os baptizados, e especialmente as dos obreiros do Evangelho: «Irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor continue o seu caminho e seja glorificada como aconteceu entre vós» (2 Tes 3,1; cf. 1 Tes 5, 25). A oração deve também pedir socorro a Deus nos perigos que o apóstolo enfrenta: «Rogo-vos, pelo amor do Espírito, que luteis comigo, nas orações que fazeis a Deus por mim (Rom 15, 30). Ou ainda, aos Coríntios: «É Deus que me livrará (da morte) se nos ajudardes pela oração» (2 Cor 1,11).

 Além disso, o Espírito de Jesus ressuscitado está presente e actuante em toda a oração dum filho de Deus: «…o Espírito vem em ajuda da nossa fraqueza, pois não sabemos o que devemos pedir em nossas orações» (Rom 8, 26s).

 Extracto de: A oração pastoral de São Paulo – Jean Lévêque, carmelita, da Província de Paris  

Maria Rivier

 Não quero falar aqui de uma oração de alguns momentos, de uma oração de meia hora… quero falar desta oração contínua que deve preceder, acompanhar e seguir todas as nossas acções…Posso dizer que quanto a mim, tudo esperei da oração: quando rezo ou peço para rezar, fico tranquila e nada temo…toda a minha confiança está sempre na oração. Do mesmo modo, ficai bem convencidas que é aí, nesse espírito de oração que vamos buscar todos os nossos socorros, todas as graças necessárias para nós e para os outros; e tende por certo que, quando deixardes de rezar, deixareis de fazer o bem (Últimos Conselhos, pp 17-18).

 Recorrei muito à oração, que seja este todo o vosso recurso. No meio das vossas ocupações, mantende-vos muito unida a Deus; todos os vossos suspiros deveriam ser orações. Tomemos este santo hábito de rezar sem cessar; indo, vindo, trabalhando» (À irmã Xavier, 24 de Janeiro de 1817).

Nada façais sem consultar Jesus Cristo e orientai o vosso coração frequentemente para Ele, para Lhe pedir as suas luzes e o seu socorro. Sinto tão fortemente a necessidade que temos da oração, nada podendo fazer por nós próprias, que se esqueço e que faço alguma coisa sem rezar, choro por causa disso e considero tudo o que fiz como inútil. Sejamos pois filhas de oração e Deus abençoará tudo (Carta 559, 12 de Junho de 1983).

A oração na nossa vida

Paulo ensina-nos igualmente uma coisa importante: ele diz que não existe verdadeira oração sem a presença do Espírito em nós… Escreve com efeito: «Assim também, o Espírito vem em nosso socorro, pois não sabemos rezar como convém. O próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Deus, que vê o fundo dos corações, conhece as intenções do Espírito: Ele sabe que intervindo por nós, o Espírito quer o que Deus quer» (Rom 8, 26-27). É como dizer que o Espírito Santo, quer dizer o Espírito do Pai e do Filho, é doravante como a alma da nossa alma, a parte mais secreta do nosso ser, donde se eleva incessantemente para Deus um movimento de oração, do qual nem mesmo podemos designar os termos.

 Com efeito, o Espírito, sempre desperto em nós, supre as nossas carências e oferece ao Pai a nossa adoração, com as nossas aspirações mais profundas. Isto exige naturalmente um nível de grande comunhão vital com o Espírito. É um convite a ser sempre sensíveis, mais atentos a esta presença do Espírito em nós, a transformá-la em oração, a sentir esta presença e a aprender deste modo a rezar, a falar com o Pai enquanto filhos no Espírito Santo.   Bento XVI, 15 de Novembro de 2006

 

A oração é a luz da alma

«O bem supremo, é a oração, a conversa familiar com Deus. É comunicação com Deus e união com Ele. Do mesmo modo que os olhos do corpo são iluminados quando vêem a luz, assim a alma orientada para Deus é iluminada pela sua inexprimível luz.

 A oração não é pois o efeito duma atitude exterior, mas vem do coração. Não se limita a horas ou a momentos determinados, mas desenrola a sua actividade sem descanso, noite e dia.

 A oração é a luz, o verdadeiro conhecimento de Deus, a medianeira entre Deus e os homens.

Quando falo de oração, não imagines que se trata de palavras. É um impulso para Deus, um amor indizível que não vem dos homens e de que o apóstolo (São Paulo) fala assim: ‘Não sabemos rezar como convém, mas o próprio Espírito intervém por nós com gemidos inexprimíveis’ (Rom 8,26).»           Homilia anónima do século V

 

TESTEMUNHA DE JESUS CRISTO

Publicités

Responses

  1. Parabens ! Irmãs Pela vossa dedicaçao e entrega , pois este site é sinal que anuciam Jesus Cristo . Como S.Paulo diz Já nao sou Eu que vivo Mas Cristo que vive em Mim ( seduziste-me Senhor eu me deixei Seduzir ) . um abraço a todas as Irmas ( TÓ do Tramagal )

  2. Bem ajam Queridas Irmas pelo trabalho que para vos nao é trabalho mas Alegria em Cristo beijinhos todas S. Paulo é´um grande exenplo de como o Espirito Santo Sopra Onde Deus Quer

  3. Ole! Este ano também estou inserido no ano Paulino… se pudessem mandar-me um mapa dos sitios por onde passou agradecia, pois tenho de fazer uma apresentação e nao tenho esse material… obg o meu e-mail é tomassapage@hotmail.com
    cumprimentos Tomás Sapage
    parabens pelo excelente trabalho…


Laisser un commentaire

Entrez vos coordonnées ci-dessous ou cliquez sur une icône pour vous connecter:

Logo WordPress.com

Vous commentez à l'aide de votre compte WordPress.com. Déconnexion / Changer )

Image Twitter

Vous commentez à l'aide de votre compte Twitter. Déconnexion / Changer )

Photo Facebook

Vous commentez à l'aide de votre compte Facebook. Déconnexion / Changer )

Photo Google+

Vous commentez à l'aide de votre compte Google+. Déconnexion / Changer )

Connexion à %s

%d blogueurs aiment cette page :